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EFI – IFE, A iniciativa feminista europeia

Desafiar o patriarcado para construir uma outra Europa

By: Lilian Halls-French

Em toda a Europa e fora dela, as mesmas estruturas de poder de género estão a ser reproduzidas, quer nas relações privadas quer na vida social. As mulheres estão sempre subordinadas aos homens. O sistema patriarcal atravessa todos os países e todos os tipos de sociedade e influencia a mentalidade de todos. Actualmente, amplifica e perpetua a potência capitalista global. O modelo de género dominante é universal e não pode ser dissociado de outras formas de dominação. O EFI visa desmascarar estas estruturas de poder de género patriarcais que moldam todas as relações e a influenciam profundamente as nossas vidas e escolhas.

A IFE é uma rede feminista aberta cuja actividade vai além das barreiras políticas e geográficas da Europa e se estende à área do Mediterrâneo.

Nasceu no quadro do Fórum Social Europeu de Paris em 2003 e é baseada na convicção de que não existe futuro para a Europa sem garantias de direitos fundamentais, quer para homens quer para mulheres.

Desde há cinco anos, a IFE tem trabalhado no sentido de construir e fortalecer a cooperação entre mulheres do Leste, Oeste, Norte e Sul da Europa, do Médio Oriente e do Magrebe. Foi capaz de criar um espaço político feminista para discussões, reflexão e acção apoiadas por estudos, análises e perícia feministas. No actual contexto de regressão geral na área dos direitos e liberdades, este espaço tem sido estruturado pelas exigências, sofrimentos e experiências das mulheres, sempre à volta da dinâmica de interacção de abordagens teóricas e iniciativas de base, de estudo e activismo.

Os principais objectivos da IFE são:

Dar voz às feministas a nível europeu e aumentar a visibilidade do movimento;

Contribuir para o desenvolvimento da intervenção das mulheres em todos os domínios da vida política, social e económica através de movimentos e organizações feministas, com os modos e formas de organização que estes movimentos escolheram;

Sensibilizar e mobilizar mulheres de diferentes movimentos e países de forma a promover a convergência das suas lutas contra a opressão patriarcal;

Criar condições adequadas para as próprias mulheres se tornarem portadoras desses objectivos dentro do quadro do Projecto Educativo Feminista Popular Europeu estruturado pela nossa plataforma política.

Enquanto activistas feministas europeias, somos anti-militaristas e internacionalistas. Rejeitamos a guerra enquanto solução para conflitos internacionais e exigimos o alargamento do conceito de segurança de modo a incluir políticas de segurança globais que tenham como alvo a violência dirigida às mulheres no dia-a-dia. Exigimos que a União Europeia garanta a livre circulação de pessoas e reconheça a cidadania total e completa de todos os que vivem em território europeu.

Tendo em conta a crescente penetração das estruturas religiosas na esfera estatal e os ataques cada vez mais frequentes aos direitos das mulheres por parte de fundamentalistas religiosos, exigimos que a laicidade se torne num dos princípios básicos da Europa e que se aplique a todos os que vivem no seu território.

Na Polónia, Irlanda, Chipre, Malta e Andorra, e agora na Lituânia e Eslováquia, as mulheres estão a enfrentar a mesma proibição ao seu direito a abortar. Em muitos outros países como a Itália, Espanha e Macedónia, esse direito está agora em risco.

Em relação aos direitos sexuais e reprodutivos, exigimos a harmonização das diferentes legislações nacionais em matéria de direitos das mulheres em direcção a um nível mais avançado, e apelamos a uma campanha europeia coordenada para reunir um milhão de assinaturas antes das eleições Europeias de 2009, o que tornará possível influenciar directamente uma mudança nas políticas europeias.

Desvelar e desmantelar as estruturas patriarcais dominantes em todos os domínios e em todos os níveis é uma tarefa necessária e urgente. A igualdade entre os sexos deve tornar-se num valor fundador do processo de criação de uma Europa que mereça ser chamada de democrática. Isto requer uma ruptura com o actual modelo Europeu, e o feminismo constitui um elemento vital deste processo de transformação radical.

 

Para contactar a IFE: ife@efi-europa.org